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Tomás Júlio Leal da Câmara nasce em Pangin (Nova Goa), a 30 de Novembro de 1876. Os pais proporcionaram-lhe, até aos seus 19 anos, uma existência algo pacata, se bem que desde muito cedo Leal da Câmara manifestasse uma irreverente personalidade. O incisivo poder crítico da sua personalidade, por excelência manifesto no campo humorístico do desenho caricatural, leva-o a atingir uma verdadeira notabilidade no meio intelectual português. Contudo, tal reconhecimento artístico não foi suficiente para impedir um mandato de captura policial e um inerente julgamento que o conduziria ao degredo, motivados pelos seus sarcásticos e críticos desenhos, onde ridicularizava as mais destacadas e omnipresentes figuras públicas e políticas do Portugal de então. Assim, em 1898, atravessa a fronteira, iniciando uma longa ausência do país, primeiro por três anos na capital espanhola, e depois na "morada cultural" dos poetas -Paris. Em 1895, com a morte do pai, o jovem estudante prefere alterar radicalmente o seu estilo de vida, abandonando definitivamente o curso de Agronomia e Veterinária, trocando-o pela profissão de jornalista, ocupação mais compatível com o seu modo de ser. A implantação da República, em 5 de Outubro de 1910, fá-lo-á regressar a Portugal. Todavia, a manifesta indiferença cultural das elites portuguesas, aliada à ignorância geral das populações, desapontam-no cruelmente, levando-o, desta feita, a exilar-se por decisão própria (1913) e a procurar de novo a sociedade parisiense, onde permanecerá até finais de 1915. O eclodir da Primeira Grande Guerra provocou no artista o serenar da sua paixão pela sua capital adoptiva, fazendo-o regressar a Portugal. Fixa-se em Leça da Palmeira e envereda pelo professorado. Em 1923 isola-se no campo e adquire um casal antigo de feição popular na Rinchoa, em Sintra, onde passará a residir a partir do início da década de trinta. Leal da Câmara transforma a sua casa num ateliê-museu (inaugurado e 16 de Setembro de 1945), como que querendo oferecer a todos a possibilidade de descobrirem e pensarem o mundo por ele visto e registado.
Tomás Júlio Leal da Câmara falece em 21 de Julho de 1948, deixando-nos uma imagem de um Homem que assumiu em vida as atitudes pronunciadas no papel. Foi um inconformista por natureza, um Republicano por convicção. Mas, acima de tudo, um caracterizador de costumes, um observador apaixonado do humano. O velho casal saloio situado na Rinchoa é, entretanto, incorporado no património da Câmara Municipal de Sintra, em 1965. Hoje, por opções museológicas e de segurança, o edifício apresenta-se algo diferente, sobretudo ao nível da sua compartimentação interna e dos seus acessos. A opção da Câmara Municipal de Sintra passa, agora, por transformar a Casa-Museu Leal da Câmara num espaço cultural "vivo" e mais aberto, sem descaracterizar o que resta da traça inicial, ou seja, possibilitar a criação de um autêntico pólo cultural que aglutine, em si, os velhos desejos da população envolvente, sem descurar, contudo, o seu funcionamento como estabelecimento museológico moderno e cientificamente actuante.
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