Leonor Cunha

“Sintra é como os travesseiros que faço: de uma doçura que não mais se esquece”
Os travesseiros da Piriquita são dos melhores embaixadores de Portugal, levando os sabores de Sintra aos quatro cantos do Mundo. Conheça a mulher que ao longo dos últimos 50 anos guarda, a sete chaves, o segredo desta iguaria. Leonor Cunha é a dama de ferro à frente de um doce negócio, que desde 1862 se mantém no feminino.

Vendem-se aos milhares todos os fins-de-semana. Há quem percorra dezenas de quilómetros e venha de propósito a Sintra. Depois, é esquecer o colesterol e os quilitos a mais e….deliciarmo-nos com eles. Os travesseiros da Piriquita tem uma longa tradição familiar por detrás. Representam um dos mais rentáveis negócios do concelho e sempre com uma mulher ao leme: começou no Sec. XIX com Constança Gomes Periquita e, dois séculos depois, é Leonor Cunha que, do alto dos seus 74 anos, lidera com mão de ferro um negócio que sempre se manteve no feminino.
Quando foi fundada a Piriquita – Antiga Fábrica de Queijadas? Em 1862 pela bisavó do meu marido, a Sra. D. Constança Gomes Piriquita. Desde aí ficou sempre na família e sempre com uma mulher à frente: depois foi a Sra. D. Nazaré, avó do meu marido, seguiu-se-lhe a filha (mãe do meu marido) Constança Cunha e agora eu que pretendo passar o leme à minha neta. Já vamos na sexta geração. É, sem dúvida, um negócio de mulheres. Sinto um grande orgulho.

Mas continua a ser a alma matter da Piriquita? Sou. Mas tenho uma grande ajuda de todos, familiares e funcionários, alguns a trabalharem há mais de 40 anos na Piriquita. Ainda me tratam por menina Leonor, veja lá, e eu com 74 anos. Olhe, o Zé Banana e o Custódio, por exemplo, ou ainda a Teresa e a Leonor. Somos uma grande família. Esse é um dos segredos dos travesseiros, o outro (o da receita) não lhe vou dizer, é claro!
A Piriquita é um dos ex-libris de Sintra. Sente que tem um importante papel na gastronomia sintrense? Sinto e digo-lhe que é uma responsabilidade. Temos mantido e vamos continuar a manter, sempre, altos padrões de qualidade. Afinal, estamos num dos locais mais turísticos de Portugal. São aos milhares. Temos de mostrar a quem nos visita que sabemos fazer e bem. É por isso que ao longo de três séculos temos tido sucesso.
Sempre viveu em Sintra? Nascida e criada.
E o que Sintra representa para si? A minha vida. Profissional, familiar, afectiva.
Quais são, para si, os principais problemas do concelho? Vou falar da realidade que me é mais próxima: o centro histórico. Sinto muita pena de ver os prédios desabitados. Eu que vivi este centro a fervilhar de vida. E depois, o problema de estacionamento. As pessoas não têm onde estacionar.
É mau para o negócio, portanto? Pois claro que é!!
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