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Entrevista a Nuno Vicente

 

Agrada-me a ideia de ser “nómada na própria terra”

 


 

Este mês Sintra em Agenda falou com o ator e encenador Nuno Vicente, fundador do UtopiaTeatro.


 
nuno-vicenteO Nuno Vicente está há muitos anos ligado ao teatro que se faz em Sintra, e é conhecido sobretudo como encenador do Utopia Teatro. Como surgiu o gosto pelo teatro, e o que destaca desse percurso?

Aos treze anos descobri o teatro de Tennessee Williams. Aos quarenta anos ainda lhe devo a perseverança de continuar com a utopia em teatro. Do percurso saliento a felicidade de ter crescido e desenvolvido a minha paixão em entendimento e diversidade com tantos outros agentes culturais. Cresci com uma geração “teatral” sem igual em toda a história de Sintra.

Como vê a relação do público com o teatro hoje e nomeadamente como vê a apetência do público local pelo fenómeno teatral?

Alguma vez foi fácil a relação do público com o Teatro? Hoje com o desmantelamento e desinteresse para com a cultura e educação e com essa pressão de se ter público a qualquer custo, corre-se o risco de arriscar menos criativamente e apostar mais em fórmulas já testadas. E é dever de qualquer artista buscar o equilíbrio entre o prazer das emoções e o desafio intelectual que cada peça, independentemente do seu invólucro, deve transportar para o público.

Que peças mais gostou de encenar e quais as que ainda gostaria de levar à cena, como encenador e como ator?

Todas as peças contribuíram para o crescimento, todas são filhas, mesmo as mais ingratas. Quanto ao que gostaria ainda de fazer, responderei mais adiante.

Como lidam com a falta de um espaço permanente para as vossas atividades?

Como um desafio permanente. Compreendo bem o quanto a falta de um espaço próprio pode prejudicar um grupo de teatro, sobretudo, quando esse grupo tem teimado em assegurar a sua presença em Sintra ao longo de dezoito anos como é o caso da UtopiaTeatro. Mas pessoalmente agrada-me a ideia de “nómada na própria terra”. Até isso só em Sintra é possível. De outro modo não teria tido a possibilidade de criar espetáculos específicos para espaços tão diversos. É privilégio de sonho a UtopiaTeatro ter circulado do interior do Palácio Nacional de Sintra às fontes do centro histórico; da Casa de Teatro de Sintra ao Centro Cultural de Sintra; do Palácio Valenças à atual Biblioteca; da antiga cadeia às esquecidas salas de sociedades recreativas do concelho.

O que está a fazer presentemente?

Estou muito entusiasmado com a próxima parceria da UtopiaTeatro com Susana Gaspar que estreará já em Novembro no CCS. “Homem Mulher Coroada” é um projeto que cruza antropologia, teatro, história e intervenção nas comunidades numa perspetiva de estudos de género. Os temas convocados para esta criação - discriminação com base no género, travestismo, trabalho masculino/ feminino - não estão distantes dos anteriores projetos da artista, focados nas temáticas de Direitos Humanos (Lampedusa e Corpo-Mercadoria) que a UtopiaTeatro acolheu nestes últimos anos.

Como vê o panorama cultural sintrense, suas virtudes e defeitos?

Quanto a mim anda-me a apetecer participar, de qualquer modo, nas mais amplas parcerias, numa grande loucura chamada Byron! Apetecia-me contribuir para divulgar mais e melhor as relações entre essa figura ímpar que é Lord Byron e a igualmente ímpar paisagem cultural de Sintra. Fazer-se em Sintra, em redor de Byron, algo nunca visto, será bom sonho para ir à luta.

Que conselhos quer deixar a quem queira hoje enveredar por uma carreira no teatro?

Será possível um “ceticismo esperançoso”? O que se vivia em Portugal há vinte anos atrás quanto à possibilidade de reinventar o Teatro já nos soa a sonho distante dada a “noite escura” que nos acompanha nestes últimos anos. Se antes lutávamos pela dignificação, abertura e reconhecimento da diversidade artística de uma nação - em que Sintra teria sempre que ter tomada em conta pelas suas particularidades próprias - hoje lutamos literalmente pela “sobrevivência” com todo o desmantelamento e indiferença cínica para com tanto esforço que aqui em Sintra se fez da parte de tantos agentes culturais. Contudo, acredito, pleno de esperança, que “entre mortos e feridos” o Teatro sobreviverá e continuará sempre como espelho da Humanidade. A História mostra-nos que nos piores momentos, e nos maiores apertos, surgem sempre fulminantes raios de Luz. Acreditarei sempre que o Teatro contribui para uma sociedade mais saudável e responsável. Valores. Ética. Perante esta feroz luta pela sobrevivência são os valores e uma ética própria, que primeiros se ressentem. A crise de valores na nossa sociedade não iliba um bom ator de precisar deles para mergulhar a sério, a fundo. Esperança, Luz, Força, Amor. Basicamente o que espero para todos aqueles que procuro amar, no pão nosso de cada dia. Concordo com o meu caro irmão de teatro Rui Mário na reinvenção do teatro, em comunicar a necessidade e urgência de ver e ir ao teatro.

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