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Museu Ferreira de Castro



A Coleção


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Por ordem cronológica, é tratado o percurso vivencial do escritor, podendo ser apreciadas edições raras, manuscritos, objetos pessoais e ilustrações originais para as suas obras, entre outros objetos.



Breve Historial

mfc-museuTendo Ferreira de Castro manifestado o desejo de que os seus restos mortais permanecessem em Sintra – como veio a suceder –, aceitou de bom grado a sugestão de «dois notáveis escritores, sintrense um, outro lisboeta, a quem a biblioteca da vila por nós amada prestava bons serviços para as suas pesquisas culturais», no sentido de que essa doação se fizesse. Trata-se de Francisco Costa, então diretor da Biblioteca Municipal, e Alexandre Cabral, que tinha na Camiliana de Sintra um apreciável acervo bibliográfico e documental para o desenvolvimento da sua investigação.

O primeiro mentor desta ideia terá sido, contudo, o então presidente da Câmara, António José Pereira Forjaz, que em carta de 10 de Abril de 1973, dirigida ao romancista, manifestava alvoroçadamente o seu júbilo, depois de verificada a conformidade da doação com as disposições legais. Seguidamente, Francisco Costa elaborou um parecer em que acentua a importância do espólio, sendo o texto da doação lido em voz alta por Pereira Forjaz na reunião de Câmara de 18 de Abril desse ano. Nesse mesmo dia, Forjaz daria ao autor de A Selva a notícia da aprovação por aclamação da «generosa, tão importante e valiosa doação.» Em consequência do trabalho da Comissão Instaladora, integrada entre outros, por Elena Muriel Ferreira de Castro, Alexandre Cabral, Álvaro Salema, Francisco Costa e José Alfredo da Costa Azevedo, o Museu abriu as suas portas em 6 de Junho de 1982. Encerrado para obras três anos mais tarde, reabriria em 22 de Julho de 1992, após remodelação dos conteúdos expositivos e de elaboração de um novo guia para o visitante.

Por ordem cronológica, é tratado o percurso vivencial do escritor, podendo ser apreciadas edições raras, manuscritos, objetos pessoais e ilustrações originais para as suas obras, entre outros objetos.

O Gabinete de Trabalho do escritor foi reconstituído de acordo com o que existia na sua casa de Lisboa. Para além dos objetos pessoais e de escrita, saliente-se os retratos da autoria de Eduardo Malta, Roberto Nobre e Stuart Carvalhais. O Museu exibe ainda telas e desenhos de Bernardo Marques, Cândido Portinari, Elena Muriel, Jorge Barradas e Júlio Pomar e escultura de António Duarte, Anjos Teixeira e Júlio de Sousa.

O espólio documental de Ferreira de Castro é constituído por mais de 20 mil documentos de epistolografia, periódicos, manuscritos, fotografias, estando acessível a investigadores.

Ferreira de Castro foi um dos escritores portugueses mais traduzidos. A Selva, o seu mais conhecido romance, foi publicado em todas as latitudes, havendo que juntar-se-lhe outras magníficas obras como Emigrantes, Eternidade, Terra Fria (Prémio Ricardo Malheiros), A Lã e a Neve, A Curva da Estrada, A Missão ou O Instinto Supremo, entre outras, além da literatura de viagens: Pequenos Mundos e Velhas Civilizações e A Volta ao Mundo, realizada em 1939. Foi por duas vezes proposto para Prémio Nobel de Literatura, por instâncias internacionais. As Maravilhas Artísticas do Mundo, uma longa viagem pela História da Arte publicada entre 1959 e 1963, foi premiada pela Academia de Belas Artes de Paris. Também em França, obteve, em 1970, o primeiro Prémio Águia de Oiro, do Festival Internacional do Livro de Nice, atribuído por um júri internacional de escritores, presidido por Isaac Bashevis Singer. No ano seguinte, receberia, com Jorge Amado e Eugenio Montale, o Prémio da Latinidade.

Nascido numa aldeia do concelho de Oliveira de Azeméis, escreveu grande parte da sua obra em Sintra, onde está sepultado, na Serra, numa vereda que conduz ao Castelo dos Mouros.

 

Biografia de Ferreira de Castro

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José Maria Ferreira de Castro nasceu a 24 de Maio de 1898 na aldeia dos Salgueiros, freguesia de Ossela, concelho de Oliveira de Azeméis, filho mais velho de José Eustáquio Ferreira de Castro e de Maria Rosa Soares de Castro.

Órfão de pai aos oito anos, a sua infância seria igual à de tantas outras crianças camponesas: intensa comunhão com a natureza, escola primária (com o professor Portela), catequese (dada pelo padre Carmo). Normalidade abruptamente alterada por uma decisão inusitada: numa região de tradicional fluxo migratório para o Brasil, o pequeno Zeca decidiu-se a partir. Apaixonara-se por Margarida, que, nos seus dezoito anos, pouca atenção dava àquela criança com pouco mais de dez. Um acto temerário agigantá-lo-ia, decerto, aos olhos da rapariga. A 7 de Janeiro de 1911, Ferreira de Castro embarcou em Leixões a bordo do vapor «Jerôme», navio «negro e sujo» com destino a Belém do Pará. Nesse dia, contudo, Margarida não estava lá. «Tinha eu, então, 12 anos, 7 meses e 14 dias…», recordará mais tarde, num texto memorialístico.

Em Belém, grassava a crise da borracha. Castro passou pouco tempo em casa de um conterrâneo a quem havia sido recomendado, que – num episódio dickensiano – procurou livrar-se daquele encargo, arranjando-lhe trabalho num seringal inóspito. Viveu assim, entre 1911 e 1914 no seringal ironicamente chamado «Paraíso», nas margens do rio Madeira, braço do Amazonas.

Embora trabalhasse como caixeiro num armazém, pois era alfabetizado, marcá-lo-ia fortemente a convivência com os seringueiros paraenses e cearenses, vítimas da adversidade do meio e da exploração dos coronéis proprietários das plantações. A par de pequenos textos destinados a jornais, ali redigiu o seu primeiro romance, Criminoso por Ambição, obra juvenil publicado a expensas próprias, já em Belém. Deixou o seringal em 28 de Outubro de 1914 e, na capital do Pará, passou por enormes dificuldades, colando cartazes, trabalhando como embarcadiço num navio de cabotagem que fazia a carreira do rio Oiapoque, entre Belém e Caena, aproveitando todos os tempos livres para se autoeducar na Biblioteca Pública de Belém, onde tomou contato com as obras clássicas da literatura universal. Ainda em 1916, publicou a peça Alma Lusitana, iniciando-se então um período mais estável, mercê da colaboração periodística, em especial quando fundou, com outro emigrante, o semanário Portugal (1917), que granjeou um acolhimento favorável entre a colónia lusa da cidade. Aí publicou parte do romance Rugas Sociais, nunca editado em livro. Em 1919, resolveu regressar, confiando nas suas capacidades para encetar um novo percurso jornalístico e, principalmente, literário deste lado do Atlântico. 

Chegou a Lisboa em Setembro, a bordo do «Desna», com 400 escudos no bolso e o propósito de trabalhar nas gazetas, sem qualquer recomendação ou conhecimento no meio. Os primeiros anos na capital foram muito difíceis. Trabalhou em vários jornais e revistas, fundou publicações efémeras, como O Luso e A Hora, escreveu, a um ritmo alucinante, crónicas, contos, reportagens, críticas, histórias infantis para inúmeros periódicos, às vezes mais de cem por mês, «para não morrer de fome» – evocou muito depois.

Em 1921 publicou, em edição de autor, Mas…coletânea de ensaios e narrativas em que é patente a procura dum estilo original; porém, todos os livros desta fase, até O Voo nas Trevas (1927), serão por si considerados meras tentativas literárias e eliminadas da sua bibliografia. Enquanto jornalista, apesar de considerar esta atividade como mero recurso, pois o escopo era a literatura, foi paulatinamente firmando o seu nome em publicações de nomeada: A Batalha, ABC, Renovação, O Século, Civilização – revista de grande qualidade gráfica, que dirigiu. Em 1926 será eleito presidente do Sindicato dos Profissionais da Imprensa de Lisboa, pouco antes do golpe militar do 28 de Maio, que instituirá o Estado Novo. A sua reação contra a Censura leva ao encerramento do sindicato no ano seguinte.

1928 é o ano de Emigrantes, abrindo novos horizontes à literatura portuguesa. Castro assumiu-se como «biógrafo das personagens que não têm lugar no mundo», e Manuel da Bouça surge-nos como um arquétipo que se dilui na torrente migratória com destino às Américas. A este êxito de público e crítica, sucede o maior de todos: A Selva (1930). Livro poderoso, em que a personagem principal é o «inferno verde», traduzido rapidamente para várias línguas, tornou Ferreira de Castro o escritor português além-fronteiras, nos decénios seguintes. A morte da sua companheira, Diana de Lis, também escritora, nesse ano, seguida de uma septicemia e uma grave depressão que quase o levou ao suicídio, representaram um dos períodos mais negros da sua vida. Convalescente na Madeira, escreveu o romance Eternidade (1933), grito de revolta contra a fatalidade biológica do homem e, simultaneamente, abordagem à difícil situação social da ilha. Seguiu-se Terra Fria (1934) distinguido com o Prémio Ricardo Malheiros da Academia das Ciências. Nas terras do Barroso, Castro sentiu-se atraído pelas existências arcaicas daquela gente. Esse ano ficou também marcado pelo abandono de O Século e do jornalismo profissional, constatando ser incapaz de se adaptar aos espartilhos censórios, decidindo-se a regressar apenas quando a liberdade fosse restaurada. Não obstante, por dois escassos meses, dirigiu O Diabo, semanário cultural claramente oposicionista, do número 63, de 8 de Setembro de 1935, ao 72, de 10 de Novembro do mesmo ano. 

Esta nova etapa da sua vida não conheceu um início auspicioso. A peça que lhe fora pedida por Robles Monteiro para o Teatro Nacional, foi censurada, sendo publicada apenas em 1994; o romance O Intervalo quedou-se na gaveta até 1974; um outro, intitulado Classe Única, não passou dos capítulos iniciais. Castro enveredou, então, pelas narrativas de viagem. Pequenos Mundos e Velhas Civilizações (1937-38) deveu-se à simpatia do escritor pelos «povos minúsculos, pelas repúblicas em miniatura, por todos os que vivem isolados no planeta». Escrito no Estoril, aí conheceu a pintora espanhola Elena Muriel, com quem casou, em Paris, em 1938, e de quem teve uma filha, Elsa, nascida em 1945.

Embora se recusasse a escrever na imprensa portuguesa, abafada pela Censura, colaborou com o diário A Noite, do Rio de Janeiro, ao serviço do qual fez a cobertura da ocupação e anexação pela Alemanha nazi do território dos Sudetas (Checoslováquia), em 1938. No ano seguinte, ao serviço do mesmo jornal e apoiado pela Empresa Nacional de Publicidade, editora que publicaria o livro que resultará da sua viagem planetária: A Volta ao Mundo, publicado entre 1940 e 1944. Recusando «a volta ao mundo colectiva» do superficial cruzeiro de luxo, e rejeitando sujeitar-se às imposições das tabelas das carreiras marítimas, Ferreira de Castro decidira traçar «o mais incómodo e longo itinerário que se pode fazer, mas também o mais fascinante e fecundo […], alternando os centros urbanos, onde rutila a civilização, com os fundões da terra, onde a vida dos homens se encontra ainda selvagem».

Ainda sob os efeitos da pressão censória, Ferreira de Castro escreveu um romance que considerou, injustamente, quase inócuo. Trata-se de A Tempestade (1940), trama urbano em torno do adultério, do preconceito e da condição da mulher. Numa entrevista ao Diário de Lisboa, em 1945, de grande repercussão nos meios literários e políticos, Castro referiu-se ao seu livro nestes termos: «”A Tempestade” dá bem a ideia da influência que a falta de liberdade de expressão exerce na literatura. Quem ler os meus outros romances mal me reconhecerá neste. Tudo quanto constitui a minha personalidade está, ali, forçado, ou melhor, desfigurado».

Acima de tudo escritor, a luta pela expressão foi sempre um dos seus cavalos de batalha: desde o protesto que assinou em 1926 contra a censura, na qualidade de dirigente sindical, até à militância no MUD (Movimento de Unidade Democrática), integrando a sua Comissão de Escritores, Jornalistas e Artistas, e ao apoio à candidatura de Norton de Matos à Presidência da República. Em 1947, publicou A Lã e a Neve, cuja ação se situa entre a comunidade pastoril da serra da Estrela e os meios proletários têxteis da Covilhã – romance que, além de significar a grande explosão ficional após catorze anos de desalento, tornou-o mestre de referência para as gerações mais novas. Com A Curva da Estrada (1950) e A Missão (1954), Castro regressou à escrita de contornos psicologísticos, sem que fossem arredadas as preocupações patentes nos livros anteriores.

Para a edição comemorativa do 25.º aniversário de A Selva (1955), foi endereçado convite a Cândido Portinari, afim de ilustrar o livro. A admiração do grande pintor brasileiro pela obra do nosso romancista evidencia-se, não apenas pelo seu magnífico trabalho, como pela circunstância de ter suspendido o trabalho que tinha em mãos: os painéis sobre A Guerra e a Paz no edifício da ONU, em Nova Iorque. A arte sempre exerceu um intenso fascínio em Ferreira de Castro. À caminhada do ser humano, nas suas preocupações estéticas, mentais e vitais consagrou as páginas de As Maravilhas Artísticas do Mundo ou A Prodigiosa Aventura do Homem através da Arte (1959-1963), obra a que dedicou uma década, premiada pela Academia das Belas-Artes de Paris. Entre 1962 e 1964, presidiu à Sociedade Portuguesa de Escritores, por cuja criação pugnara com Aquilino Ribeiro, este sócio n.º 1, Castro o n.º 2. Após as comemorações do cinquentenário de vida literária, em que avultam edições ilustradas de Emigrantes e Terra Fria, respetivamente por Júlio Pomar e Bernardo Marques, publicou o último romance, O Instinto Supremo, em 1968, simultaneamente em Portugal e no Brasil. Inspirado pela ação humanista de pacificação dos índios pela missão de Rondon, Castro regressa literariamente à Amazónia que o viu nascer para a literatura, encerrando-se, assim, o ciclo…

Ferreira de Castro foi, durante décadas o escritor português mais traduzido, escritor dum país periférico e isolado, sem influência nem projeção internacional – assim era o Portugal do século XX, que normalmente se destacava pelas más razões: pobreza, estado autoritário e policial, colonialismo. Ser publicado na maior parte das línguas cultas europeias, em grandes editoras como a Macmillan, a Viking, a Grasset, a Aguilar, entre outras, foi um feito assinalável, abrindo caminho para outros escritores portugueses. Reconhecimento internacional a que faltou o Prémio Nobel de Literatura, ao qual foi proposto em 1951 e em 1968, desta vez na companhia de Jorge Amado. Não obstante, ser-lhe-ia atribuído o Prémio Águia de Ouro de Festival do Livro de Nice, em 1970, por um júri muito relevante, na sua composição de escritores, presidido por Isaac Bashevis Singer, distinção à qual haviam sido proposto nomes de grande significado como Lawrence Durrell ou Konstantin Simonov. No ano seguinte, Castro teria o Prémio da Latinidade, instituído por André Malraux, na companhia de Jorge Amado e Eugenio Montale. Com o dinheiro destes galardões, Ferreira de Castro fez erigir uma biblioteca, nos Salgueiros, Ossela, sua terra natal. 

Falecido em 29 de Junho de 1974, Ferreira de Castro repousa na Serra de Sintra, sob um banco talhado na rocha, numa vereda que conduz ao Castelo dos Mouros.

Tendo escrito aqui parte da sua obra, hospedando-se em especial no Hotel Netto, o escritor sentia-se particularmente bem neste cenário verdejante, tanto mais que a Natureza vegetal é um tópico importante nos seus livros, no seu estilo literário e dir-se-ia que indissociável da sua própria essência de homem e artista. Num texto de 1964, Castro escrevia:
«As paisagens nativas, as suas irmãs minhotas e tantas outras que me têm feito sonhar ao longo do nosso planeta, prendem-me mais profundamente à vida do que as raízes prendem as árvores à terra. Toda a minha existência de homem e de escritor está vinculada a esta paixão. Foi em convívio com a Natureza que os sentimentos de amor se sublimaram sempre em mim, foi em contacto com ela que elaborei a maioria das páginas que tenho escrito. As minhas demoradas estadas nesse pequeno mundo de beleza insigne que é Sintra, com tantas veredas dum intimismo lírico, tantos rincões secretos onde a poesia habita e tanta espiritualidade pairante, como se tudo propiciasse, às horas vespertinas, uma perfeita e voluptuosa fusão dos corpos e das almas, devem-se à irresistível fascinação que em mim exercem as grandes e verdes paisagens.»

Ficar para toda a eternidade integrado de corpo e alma na Natureza que lhe inspirara tantas páginas, era uma ideia que acalentara desde cedo. Assim, em 1970, fez o único pedido às autoridades do seu país: «Desejaria ficar sepultado à beira de uma dessas poéticas veredas que dão acesso ao Castelo dos Mouros sob as velhas árvores românticas que ali residem e tantas vezes contemplei com esta ideia no meu espírito. / Ficar perto dos homens, meus irmãos, e mais próximo da Lua e das estrelas, minhas amigas, tendo em frente a terra verde e o mar a perder de vista – o mar e a terra que tanto amei.»

A escrita

Na literatura portuguesa, Ferreira de Castro inscreve o seu nome como romancista. Cultivando outros géneros, como a narrativa de viagens, o conto, o teatro, a crónica, o ensaio e a memorialística, é como autor de fição que Ferreira de Castro se projeta na arte do seu tempo.

O escritor introduz, com Emigrantes (1928) uma perspetiva nova no nosso historial romanesco, ao eleger à dignidade de protagonista a personagem arquetípica de Manuel da Bouça, um camponês que emigra, à semelhança de milhões, à procura de uma vida melhor. Essa tomada de atitude, que tem por base uma motivação egoísta de enriquecimento, obriga-o a confrontar-se com a organização social injusta que prevalece no país de origem, como no de chegada. Mas Ferreira de Castro não enuncia apenas os sucessivos episódios de fracasso desse protagonista, básico e sem consciência da dignidade intrínseca da sua condição humana: Emigrantes, espelhando o ideário internacionalista e inconformista do seu autor, um ideário anarquista ou libertário – para que o definamos o mais claramente possível –, assume-se como uma obra literária – uma obra de arte, portanto – com um claro propósito de intervenção e desafio, pondo em causa o status quo e apontando caminhos alternativos para a vida social.

Trata-se, assim, de uma literatura de intenções revolucionárias, que pretende substituir o que está por outra coisa, aquilo que Ferreira de Castro veicula nos seus livros. Essa outra coisa não é um regime socialista à maneira da antiga União Soviética, como a maioria dos chamados neo-realistas virão a preconizar, mas uma ideia de liberdade, fundada não apenas na igualdade social mas também na dignidade inquestionável de cada indivíduo enquanto membro de uma comunidade – integridade individual que não deverá ser posta em causa em função da massa.

A obra de Ferreira de Castro é pois tributária desse desígnio – um desígnio com que ele pretendeu servir a arte do romance. Cultor da língua e do estilo, «um dos nossos mais elegantes prosadores», no dizer do grande filólogo Manuel Rodrigues Lapa, fê-lo com grande mestria: depois de Emigrantes, publicou A Selva (1930), um livro único e uma das suas obras-primas, que rapidamente o internacionaliza. (Durante décadas, e até à grande difusão de José Saramago e António Lobo Antunes, Castro foi o autor português mais traduzido.)

De livro para livro, Castro supera-se como romancista, o que, sendo assinalável, não deverá espantar, dada a juventude em que escrevera Emigrantes, aos 29 anos, e A Selva, aos 31… Exímio conhecedor da natureza humana, os conflitos psicológicos e a metafísica da existência estão bem patentes em narrativas como Eternidade (1933), A Tempestade (1940), A Curva da Estrada (1950), A Missão ou A Experiência (1954); romancista de pulso e de raça, detentor duma consistente oficina romanesca, aí estão Terra Fria (1934), O Instinto Supremo (1968) e, principalmente, A Lã e a Neve (1947), para o evidenciar.

Não devemos secundarizar, porém, as qualidades de observador e repórter de que se serviu para Pequenos Mundos e Velhas Civilizações (1937-38) e A Volta ao Mundo (1940-44) – provavelmente o único livro da nossa literatura com este título –, nem o gosto da arte, da história, da arqueologia, da antropologia que eles evidenciam, e a que se junta o monumental As Maravilhas Artísticas do Mundo (1959-63), a aventura inteletual e estética da Humanidade, de Altamira e Lascaux a Picasso. Nunca quis escrever um livro de memórias, mas as suas evocações esparsas desde as «memórias inéditas» de infância, publicadas por Jaime Brasil em 1931, no volume coletivo Ferreira de Castro e a Sua Obra, até às impressivas evocações de Os Fragmentos (1974), passando por composições como a «Pequena História de “A Selva”» para a edição comemorativa ilustrada por Portinari (1955), ou a «Pequena História de “Emigrantes”», para a «edição Pomar» (1966), entre vários textos dispersos, dão a Ferreira de Castro também um lugar, porventura surpreendente, no âmbito da literatura memorialística.


Horários e Preços

Horário:

Terça a sexta-feira: 10h00 às 18h00

Sábados e domingos: 12h00 às 18h00

Encerra à segunda-feira e feriados

Bilhete Normal: 1€

Desconto de 50% para: Munícipes, portadores de Cartão jovem, reformados / aposentados, estudantes de qualquer grau de ensino, funcionários da CMS e familiares em linha reta quando acompanhados pelo mesmo e grupos organizados desde que efetuem marcação prévia.

Isenção do pagamento para: professores ou auxiliares integrados na realização de ações educativas promovidas pelos Museus Municipais.

Necessita reserva: Não

Entrada Gratuita até aos 14 anos

Marcação de visitas guiadas:

Tel.: +351 219 238 828

Fax: +351 219 238 522

Email:

 


Contactos e Localização

Museu Ferreira de Castro

Rua Consiglieri Pedroso, 34

2710-550 Sintra

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